A PERMANÊNCIA DE ESTUDANTES DA UFSCAR ORIUNDOS DE ESCOLA PÚBLICA NO CAMPO CIENTÍFICO

Autores

  • Hellen Cristina Xavier da Silva Mattos

Resumo

A permanência universitária é uma temática que fortaleceu as suas discussões nas Instituições de Ensino Superior a partir da Lei nº 12.711/2012, que regulamentou o ingresso de estudantes oriundos de escola pública. Para compreender a permanência, é preciso conhecer os estudantes e as vivências que interferem em sua adaptação ao campo científico. Dessa forma, o objetivo deste estudo é analisar a permanência estudantil na Universidade Federal de São Carlos, considerando as dificuldades, os agentes e as estratégias que permeiam o cotidiano acadêmico dos estudantes oriundos de escola pública. Consideramos as contribuições de Pierre Bourdieu, o qual analisa a influência da origem social no desempenho escolar e desmistifica a ideologia meritocrática do dom, presente no campo científico. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com graduandos oriundos de escola pública matriculados nos últimos períodos de seus cursos. Sobre as dificuldades na permanência universitária, identificamos o impacto que os estudantes oriundos de escola pública sentem por não deterem o capital cultural e o habitus de estudo exigido pela universidade. Além disso, devido a suas origens familiares e sociais, os estudantes estranham o campo científico e sentem-se incapazes diante da universidade. Entre os agentes do campo científico, os colegas e pares discentes mostram favorecer os estudantes oriundos de escola pública a permanecerem nas universidades, enquanto os professores e a coordenação do curso, apesar de seu grande impacto, tendem a desenvolver práticas que não consideram o acolhimento do estudante. Diante desse cenário, as estratégias dos estudantes para se adaptarem e permanecerem no campo científico são a utilização de bolsas assistenciais, o respeito ao próprio ritmo de estudo, a diminuição de disciplinas por semestre e a recorrência aos pares para auxílio em diferentes situações. Inferimos que o respeito aos diferentes desempenhos favorece a superação da ideologia do dom, e que o alongamento do curso relaciona-se com o tempo necessário para a aquisição do novo habitus estudantil. Os estudantes reconhecem o respaldo da universidade na assistência econômica, porém não identificam um apoio na dimensão pedagógica. Assim, o setor de acompanhamento pedagógico não tem visibilidade no meio universitário, o que contribui para que os estudantes oriundos de escola pública selecionem estratégias individuais e com o apoio de colegas para permanecerem na universidade e superarem as defasagens culturais. A permanência estudantil, portanto, desdobra-se em dimensões econômicas, culturais e, também, simbólicas, em que o estudante sente-se parte da universidade. Palavras-chave: Permanência estudantil. Ensino superior. Habitus estudantil

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Publicado

30-08-2018

Edição

Seção

Resumos de Trabalhos de Conclusão de Curso (Descontinuado)