ABECEDÁRIO DAS (IN)VISIBILIDADES: CINEMA E CRIAÇÃO NO INSTITUTO BENJAMIN CONSTANT, DA ESCOLA À MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO
Resumo
Este estudo pretendeu analisar a participação de dois estudantes com baixa visão da Escola de Cinema Adèle Sigaud, do Instituto Benjamin Constant (IBC), na 10ª Mostra de Cinema de Ouro Preto (CINEOP), realizada no período de 17 a 22 de Junho de 2015. Os estudantes tiveram a oportunidade de representar a instituição, exibindo os filmes produzidos durante as aulas de cinema. Diante disso, nosso objetivo central foi investigar possíveis visibilidades das ações discentes do público com baixa visão através da prática cinematográfica. O referencial teórico que permeou as questões norteadoras e a hipótese deste estudo concentra-se na Pedagogia da Criação (BERGALA, 2008), desenvolvida pelo cineasta e educador Alain Bergala, e na Igualdade de Inteligências (RANCIÈRE, 2002). Partimos destes referenciais como escopo para a construção teórico-metodológica deste estudo, que norteia o processo de criação de um filme, em formato de Abecedário, em que os próprios estudantes narraram suas experiências entre assistir e fazer cinema no interior da escola e o momento de exibição de seus filmes, fora do contexto escolar. A abordagem teórico-metodológica desdobra-se em dois diferentes espaço-tempos das ações da escola de cinema, durante o ano de 2016. No primeiro momento, realizou-se a filmagem de depoimentos livres de seis estudantes, que narraram seus principais interesses, objetivos e expectativas em torno da(s) prática(s) cinematográfica(s) na escola. No segundo momento, tomando como inspiração o Abecedário realizado com Gilles Deleuze (1988-1989), selecionamos alguns verbetes a partir dos depoimentos supracitados, em que os estudantes que participaram da 10ª CINEOP discorreram livremente sobre suas experiências ao assistirem, fazerem e também exibirem seus filmes. Com este estudo e a partir deste recorte, objetivamos contribuir para o avanço de discussões sobre possíveis visibilidades das ações dos estudantes com baixa visão através de experiências cinematográficas. Percebemos, através das relações com estes/as estudantes, a necessidade de que sejam ampliadas as condições de acesso e participação a espaços que geralmente lhes são negligenciados, mas que são imprescindíveis para o exercício pleno de sua cidadania, ampliando as possibilidades de diálogo crítico em relação ao mundo, por meio das artes. Neste sentido, as produções fílmicas ainda apresentam algumas barreiras. Apontamos como alguns desdobramentos no viés do cinema, a ampliação de repertórios fílmicos com audiodescrição de qualidade, garantindo a exibição a portadores de cegueira e baixa visão o direito assegurado através da Lei 13.006/2014 da exibição de duas horas mensais de filmes nacionais. A necessidade por eles relatadas no Abecedário (que pudemos vivenciar ao acompanhá-los em Ouro Preto e que vão muito além do que está no filme e nestes escritos) por conhecer novos espaços, pessoas, formas de interação e sociabilidade, são alguns dos exemplos para justificar a necessidade para que este público seja incentivado e tenha seus direitos garantidos a transitar por diversificados espaços e equipamentos culturais. Palavras-chaves: Baixa Visão. Visibilidade. Cinema. Educação. AbecedárioDownloads
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